MORREMOS!
Criamos muitos problemas devido ao medo da morte, sofremos com boa parte deles. Uma das representações mais sintomáticas a morte é a perda do nosso controle. Controle do que? Da nossa crença que controlamos a vida, de que ela só faz aquilo que desejamos, quando queremos. Sabemos que não, mas enquanto não morremos, não perdermos a esperança de tomar o controle remoto das mãos da vida e ditarmos nosso ritmo.
Em parte é isso o trágico, como sempre nos lembra o sátiro Sileno ao ser perseguido por Midas: “O melhor de tudo era não ter nascido.” Como nascemos… vai concluir o sátiro nos remetendo ao trágico: “O melhor é morrer depressa.”
Contrariamos os sátiros. Queremos viver. Mais do que viver queremos expurgar a morte de nossos olhos e convívio. Queremos uma vida sem dor, sofrimento, velhice, doença ao mesmo tempo em que desejamos todas as vicissitudes da existência. Poucos de nós busca o ‘caminho do meio’ que evita a mortificação do corpo e preguiça insana da alma. Poucos de nós usa o remédio dado por Buda para vencermos a ignorância, nos prepararmos para o desconhecido. Desconhecido?
Morrer é do desconhecimento de alguém? Preparar-se para morte não deveria ser o sentido primeiro de nossas atividades? Ensinar a morrer não deveria ser a preparação para uma vida melhor? Temos lidado pouco com essas perguntas. Nos anestesiamos para não lidarmos com a morte.
Deveríamos lidar melhor com isso. Com uma maturidade psíquica, emocional, mental maior. A morte não deveria nos assombrar tanto, nos paralisar tanto. Mesmo porque essa paralisia indica uma dificuldade em lidarmos com a VIDA. Afinal, como separar vida de morte? Como viver melhor sem concebermos a morte como uma parte intrínseca e inerente do viver? Essa separação, essa distinção nos aparta de nós mesmos, dos outros, de um sentido mais amplo e profundo da existência. Essa separação nos mutila. Ora nos faz só mente, ora só corpos e quase nunca unidades psicobiológicas em busca de integração e sentido.
Isso, novamente, me trás a imagem do teatro. O teatro como espaço do trágico, das representações existenciais. O locus no qual encenamos, in-cena-mos o nosso viver. Por essa temática, a morte é um enredo teatral de monta. Mas, as pessoas só prestam atenção no final. E o final é sempre o mesmo: MORREMOS. Não tem o que fazer. Não há nada a ser feito. Em determinado momento, em alguma hora, MORREREMOS. Assim, o foco não deveria estar na morte e sim na vida. O foco deveria estar no processo que nos conduz ao desfecho. O foco deveria estar na construção dessa nova personagem que tem hora marcada, não sabida, de quando morreremos. E nesse intercurso significar a existência. Enriquecer a existência para poder ao final da peça estar pleno.
Em outros termos é no diálogo com a finitude que nos humanizamos. E é justamente, no silenciamento dessa reflexão que nos desumanizamos. É por nos colocarmos na posição de plateia da peça da nossa existência que a perdemos. É por estarmos na posição de plateia na vida das pessoas que contracenamos é que entendemos pouco da trama existencial que estamos inseridos. É por não travarmos uma batalha contra a nossa ignorância que esse desconhecimento ganha o mundo em práticas individuais, sociais, coletivas. E ao tocar essas ignorâncias não podemos deixar de mencionar o tema da sexualidade e Freud que a melhor a compreendeu.
Sabemos disso. Não deveríamos fugir disso. Mas, infelizmente, nunca estamos prontos. Sempre temos desculpas. Jamais nos conformamos quando ela chega, inexoravelmente nos chega.
Temos no campo da empiria a PROJECIOLOGIA que ensina pessoas a deixarem os próprios corpos e assim constatar a existência de algo que sobrevive além do corpo físico. Há experimentos dos mais variados, assim como relatos dos mais improváveis. Mas, todos levando a uma conclusão que a consciência não está restrita ao corpo físico e que ela tem uma independência em relação ao corpo físico. No campo da medicina temos os estudos de EQM (EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE). Com milhares de relatos que corroboram as informações dos projeciologistas e dos espiritualistas. Há uma outra dimensão que voltamos quando deixamos nosso corpo físico. Que podemos acessar se não formos tão reducionistas, materialistas.
No campo da ciência temos a TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL. Ciência? Talvez não nos moldes do paradigma atual, mas há gravações por áudio e vídeo de seres que se encontram mortos falando por gravadores e sendo vistos por televisores.
o Tudo isso e muito mais é real, verdadeiro. Deveríamos estar nos ocupando para qualificarmos mais a nossa existência. Afinal, se tudo não acaba com a morte, qual é o sentido?
Se já temos respostas a essas perguntas, porque as ignoramos? Lidar com a morte é aprender a viver melhor, mais, com mais plenitude e integração. Honrar o corpo físico, honrar a vida na matéria. Honrar a vida!!













